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07/03/2026

Como mudança na Venezuela pode afetar negócios da Petrobras

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A abertura da indústria do petróleo da Venezuela ao capital estrangeiro pode abaixar os preços do barril e apertar as margens de lucro das empresas, segundo analistas. Por outro lado, podem surgir oportunidades de negócios no país vizinho que gerem novas receitas para a Petrobras.

O que aconteceu

Ação dos Estados Unidos na Venezuela cria novo fator na indústria petrolífera mundial. Após seu país invadir a Venezuela, prender o presidente Nicolás Maduro e provocar mudança no governo venezuelano, o presidente americano, Donald Trump, expressou a intenção de abrir o setor petrolífero ao capital estrangeiro.

Venezuela tem potencial para elevar oferta de petróleo no mundo. O país, embora dono da maior reserva de petróleo do mundo, tem produção decadente e marginal na oferta global, abaixo de um milhão de barris diários, menos de 1% do fornecimento total. Nos melhores momentos, a produção local chegou a mais de 3 milhões de barris diários.

No curto prazo, lucro da Petrobras tende a ser influenciado pelos preços do barril. Mesmo que o aumento da produção de petróleo na Venezuela seja atualmente apenas um plano na cabeça de Trump, que precisa primeiro superar questões legais e atrair bilhões de dólares para atualizar o sucateado parque industrial do país sul-americano, esse fator já entrou no radar de analistas de mercado que acompanham as ações da Petrobras.

Potencial aumento da oferta da Venezuela no médio prazo agrava quadro de oferta excedente. De acordo com a AIE (Agência Internacional de Energia), o fornecimento total de petróleo em 2026 deverá atingir cerca de 109 milhões de barris por dia, o que representa um excesso de oferta de 3,84 milhões de barris por dia.

Preços do petróleo emendaram três anos de baixa. Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 19% em 2025, a US$ 60,85, no terceiro ano seguido de queda, e na maior retração desde 2020. Já o contrato do WTI ficou 20% mais barato, fechando dezembro a US$ 57,42.

Cenários para segundo momento

Abertura de setor petrolífero na Venezuela pode gerar novos negócios para Petrobras. No longo prazo, caso confirmada a reabertura da exploração do petróleo venezuelano para o capital privado internacional, a petroleira brasileira seria uma candidata com potencial para assumir algumas operações.

Petrobras conhece campos de exploração na Venezuela, onde já atuou. Embora não tenha negócios atualmente na Venezuela, a estatal brasileira era uma das companhias que operavam em áreas venezuelanas de extração e produção da commodity até duas décadas atrás, quando deixou o país. Procurada, a empresa disse que “não tem operações na Venezuela e permanece acompanhando o mercado”.

Competitividade da Petrobras pode resistir aos preços internacionais mais apertados. No último Plano de Negócios, a estatal projeta que sua média para o Custo Total do Petróleo Produzido (CTPP) será de US$ 30,4 por barril de óleo equivalente, portanto com margens ainda elevadas diante da atual cotação do barril, na casa de US$ 60.

Na Venezuela, estudos mais recentes apontam que o custo de extração estaria na casa de US$ 23 por barril. Trata-se, portanto, de um patamar que sinaliza haver espaço para que a petroleira brasileira dispute mercado com suas margens operacionais. A Petrobras fechou o terceiro trimestre do ano passado com margens operacionais ao redor de 29%, ante 20% de média na indústria.

Maioria de analistas traça cenário positivo para ações da Petrobras. De 14 análises compiladas pela plataforma Investing.com, a petroleira brasileira tem dez recomendações de compra, quatro de manutenção e nenhuma para venda do papel. O preço-alvo projetado pelos analistas para o fim deste ano varia numa faixa de R$ 32 a R$ 45.

Maior concorrência estrangeira na exploração do petróleo na região. Um fator que poderia pesar negativamente sobre a Petrobras, entretanto, seria uma disputa mais acirrada por recursos caso a exploração de petróleo na Venezuela seja de fato aberta ao capital privado internacional, segundo Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). “Os investimentos que poderiam vir para cá [Brasil], ainda a ser provada a viabilidade, agora contam com a Venezuela”, disse.

Fonte: UOL

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