Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para quebra mútua de sigilos

Últimas

Em um desdobramento inédito na reta final da disputa pela Presidência da República, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro protocolaram uma petição conjunta nesta quinta-feira (22). O documento deu entrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, e foi direcionado ao ministro André Mendonça.


O acordo firma a abertura total, imediata e simultânea dos dados bancários, fiscais e telefônicos na Justiça. A medida autoriza a quebra de sigilo de todos os candidatos, de seus familiares diretos e de empresas associadas.


Os termos do acordo

Inicialmente, o acordo estabelece a abertura e a divulgação de todos os dados requisitados ainda hoje. Uma anotação manuscrita inserida no rodapé do documento oficializa o prazo limite: as chapas precisam entregar as autorizações de terceiros citados no escândalo até as 23h59 desta quinta-feira .

Segundo a petição oficial (nº 0603195-27.2026.6.00.0000), a devassa legal abrange diferentes frentes para cada candidato:

  • Do lado de Lula: o candidato petista autorizou o levantamento dos seus dados de pessoa física. Consequentemente, liberou as informações dos familiares listados na petição inicial e da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda .
  • Do lado de Flávio Bolsonaro: a autorização engloba os seus dados pessoais, de familiares e de pessoas jurídicas ligadas a ele. Além disso, o documento inclui todas as mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro . A equipe também especificou a quebra de contas financeiras no Brasil e no exterior nas quais o político figure como titular, procurador ou usuário master. O texto cita expressamente a empresa Alcazar Holdings no banco Santander.

Na prática, o TSE deverá requisitar os dados sensíveis ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às grandes operadoras de telefonia. A corte fará a divulgação oficial dessas contas na plataforma pública DivulgaCandContas .


Troca de acusações

Apesar disso, o clima entre as campanhas rivais foi de forte tensão nos corredores do tribunal. O ex-deputado Deltan Dallagnol , aliado de Flávio Bolsonaro, gravou um vídeo em frente à corte eleitoral. Ele acusou a campanha do petista de tentar uma manobra política de última hora.

Dallagnol alegou que a equipe de Lula apresentou um documento restritivo sobre a abertura dos sigilos bancários. O texto deixava de fora elementos cruciais como o Instituto Lula e os dados relativos ao empresário Vorcaro:

“Os nossos advogados perceberam o golpe, e tiveram que fazer uma série de inscrições à mão” , declarou o ex-procurador.

Ele explicou as anotações manuais para esclarecer o levantamento total do sigilo no protocolo impresso. Portanto, afirmou que a abertura revelará uma verdadeira “caixa preta” , traçando paralelos diretos com as investigações da Operação Lava Jato.


A posição da defesa

Paralelamente, a advogada Maria Claudia Bucchianeri representa a campanha de Flávio Bolsonaro no processo. Ela endossou o tom de cobrança severa e afirmou que o grupo aceitou o desafio “sem nenhuma reserva” .

Em suma, a jurista destacou que o grande objetivo judicial é responder aos eleitores se os candidatos ou as suas famílias enriqueceram com a máquina pública nas últimas décadas.

Por outro lado, Bucchianeri destacou que a equipe exigiu a ampliação imediata do escopo da quebra de sigilo. A defesa pediu o rigoroso escrutínio sobre os gastos com o cartão corporativo do atual casal presidencial. O grupo também exigiu a liberação dos registros de entrada e de saída dos palácios da República.

No entanto, a advogada ainda pontuou fortes exigências criminais sobre a quebra telefônica investigada:

“Oferecer um telefone que nunca foi usado é não oferecer nada. Então a gente quer o telefone que era usado, quer o telefone do Marcola, quer o do auxiliar do gabinete” , disparou a defensora.


Prazo

Por fim, o relógio corre contra as campanhas adversárias até a meia-noite de hoje. A expectativa da sociedade agora se volta para o cumprimento da entrega de todos os instrumentos e procurações legais por ambas as partes. O povo brasileiro aguarda a subsequente disponibilização pública dessas informações pela Justiça Eleitoral.


Veja vídeo:


Fonte: CM7 Brasil

spot_imgspot_img
spot_img

Outras notícias

Conteúdo relacionado