O que antes era uma aliança estratégica de sobrevivência institucional transformou-se em um “abraço de afogados” que Luiz Inácio Lula da Silva não está mais disposto a sustentar. Em um movimento calculado para as eleições de 2026, o Palácio do Planalto iniciou um processo de distanciamento público do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança de postura, analisada pelo jornalista William Waack e confirmada por movimentações recentes nos bastidores, reflete o temor de que o desgaste da Corte contamine irremediavelmente a aprovação do governo.
O Fator “Caso Master” e a Blindagem de Imagem
O gatilho para o esfriamento das relações tem nome e sobrenome: a crise institucional envolvendo o Banco Master e ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Pesquisas de opinião recentes, como o levantamento Meio/Ideia, indicam que, embora a percepção negativa sobre o STF tenha subido, ela ainda não “contaminou” a imagem pessoal de Lula, que mantém estabilidade eleitoral.
Para os estrategistas do governo, manter essa separação é vital. Lula teria, inclusive, aconselhado reservadamente o ministro Alexandre de Moraes a adotar uma postura de maior discrição, sugerindo que ele “não jogasse sua biografia fora” ao se envolver em polêmicas de conflito de interesses.
Pragmatismo sobre Gratidão
A tese central é de que, na política, a gratidão tem prazo de validade. Se em 2023 o STF foi o pilar que garantiu a estabilidade do governo contra tentativas de desestabilização, em 2026 a proximidade com os magistrados é vista como um passivo eleitoral.
- Rejeição Popular: Com a avaliação negativa do governo flutuando em torno de 45%, o Planalto entende que não pode carregar o peso das decisões impopulares do Judiciário.
- O Discurso da Oposição: O distanciamento visa esvaziar o argumento da direita e da “terceira via”, que tentam colar em Lula a imagem de um presidente “tutelar” do Supremo.
- A Pauta Ética: Ao apoiar discretamente debates sobre um novo Código de Ética para o Judiciário, o governo tenta se posicionar ao lado da “moralização”, mesmo que isso irrite ministros da Corte.
Isolamento no STF e Tensão nos Bastidores
Dentro do Supremo, o clima é de “irritação e isolamento”. Ministros sentem que estão sendo deixados à própria sorte pelo Executivo após anos de enfrentamento direto com o bolsonarismo. A postura do ministro Edson Fachin, ao cobrar publicamente o código de conduta, e o silêncio de Lula diante de ataques à Corte sinalizam que o “pacto de não agressão” entre os Poderes deu lugar a um pragmatismo de sobrevivência.
“Lula ensina que em política não existe gratidão, existe conveniência”, destaca a análise de Waack. Com os números de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em empate técnico com o atual presidente em diversos cenários, cada ponto percentual de rejeição importa.
O que esperar até as eleições?
Especialistas acreditam que Lula continuará a adotar uma retórica de “respeito às instituições”, mas sem a defesa enfática de outrora. O objetivo é chegar à campanha de 2026 com uma imagem descolada de qualquer escândalo ou crise que venha a paralisar o Judiciário nos próximos meses. No xadrez de Brasília, o rei decidiu que, para manter a coroa, alguns bispos podem ter que ser sacrificados no tabuleiro da opinião pública.






