Arte contra censura: músicos acusam projeto de Débora Menezes de ferir democracia

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Matheus Rodrigues/Aleam

O Sindicato dos Músicos do Amazonas repudia proposta da deputada Débora Menezes (PL) e lembra que música amazônica sempre foi voz de luta e resistência.

Manaus (AM) – O Sindicato dos Músicos Profissionais do Amazonas (SINDMAN) lançou uma nota de repúdio nas redes sociais, nesta quarta-feira (24), contra o Projeto de Lei da deputada estadual Débora Menezes (PL), que visa proibir por cinco anos contratações artísticas de se manifestarem politicamente em eventos financiados pelo Estado.

Em um trecho da nota, o sindicato afirma que o projeto trata-se de “censura e perseguição ideológica” e vai contra a Constituição.

“Trata-se de uma tentativa inaceitável de censura e perseguição ideológica, que afronta diretamente a Constituição Federal de 1988, a qual garante, em seus artigos 5º e 220, o direito fundamental à liberdade de expressão e à livre manifestação artística, cultural e intelectual”, afirma.

Segundo o sindicato, o projeto atenta à democracia, busca silenciar vozes críticas e criminaliza a arte.

“O referido projeto não apenas atenta contra a democracia, mas também busca silenciar vozes críticas, criminalizando a arte e impedindo que músicos e artistas exerçam seu papel histórico de reflexão e questionamento social”, destaca.

Ao mencionar o Festival de Parintins, o sindicato defendeu que a música nunca se restringiu ao entretenimento e, segundo a entidade, “a arte amazônica sempre foi voz do povo”.

“No Festival Folclórico de Parintins, nas toadas e em tantas outras manifestações culturais, a música nunca se restringiu ao entretenimento: ela denuncia injustiças, exalta a resistência indígena, clama pela preservação da floresta e celebra a força do trabalhador amazônida”, alega.

Ainda em críticas ao projeto de Débora Menezes, a nota lançada pelo sindicato diz que ao tentar proibir a expressão política por meio da música, “é negar a essência da cultura”.

“Tentar proibir a expressão política na música é negar a essência da nossa própria cultura. A produção musical da região, criada por pessoas de diferentes origens indígenas, caboclas, afro-amazônicas, ribeirinhas, urbanas, do interior e também por quem veio de outros estados e países e fez do Amazonas sua casa, sempre trouxe mensagens políticas e sociais. Seja na denúncia da destruição ambiental, na exaltação das lutas populares ou na valorização das raízes e identidades amazônicas, a música sempre esteve ligada à luta coletiva”, destaca.

A nota menciona que a música amazônica “é inseparável da luta política e social do povo”; confira a nota oficial do SINDMAN.

Fonte: Am1