Acúmulo de lixo no Passeio do Mindu expõe pressão das chuvas sobre igarapés de Manaus

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Quem passa pelo Passeio do Mindu, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus, tem percebido o aumento do lixo acumulado no igarapé. O material, retido pelas ecobarreiras instaladas no local, evidencia a pressão que o período de chuvas exerce sobre a capacidade de contenção de resíduos na cidade.

Na noite desta terça-feira, 25/11, a artista visual e comunicóloga Michelle Marques de Moraes, que costuma praticar exercícios na área, registrou uma grande quantidade de garrafas PET, isopor, sacolas plásticas, madeira e outros materiais acumulados no curso d’água.

“Há muito tempo observo a realidade dos igarapés em Manaus e me entristece ver que, ano após ano, a situação piora. Sei que seria possível mudar esse cenário com boa vontade, compromisso e políticas públicas mais sérias”, afirmou.

As ecobarreiras instaladas nos igarapés de Manaus ajudam a reter resíduos e reduzir a poluição (Foto: Michelle Marques de Moraes)

Em suas redes sociais, Michelle costuma chamar atenção para questões ambientais e divulgar iniciativas que poderiam ser adotadas em Manaus para recuperar seus cursos d’água. Ela cita como referência o trabalho voluntário de Jó Farah, que atua pela preservação do Igarapé Água Branca.

“Só agora algumas organizações começaram a apoiá-lo, e isso só aconteceu pela persistência dele. Não deveria ser assim”, criticou.

A artista lembra que Manaus possui centenas de igarapés, muitos invisibilizados e outros transformados em esgoto a céu aberto, um cenário que ela considera devastador.

“A água é fundamental para a vida. Comparo nossos igarapés às veias do corpo: se estão obstruídas e contaminadas, o corpo adoece. Nesse caso, o corpo é a cidade”, explicou.

Michelle Marques defende que a educação ambiental seja política pública obrigatória – (Foto: Reprodução/ Arquivo/Pessoal)

Conscientização

Michelle também critica a facilidade com que empreendimentos imobiliários avançam sobre áreas verdes sem preservar nascentes e igarapés. Para ela, é necessário que a população reflita sobre seus próprios hábitos e adote práticas individuais, como separar resíduos e reduzir o consumo, alinhadas ao engajamento político.

Segundo Michelle, a falta de cobrança aos representantes contribui para o descaso ambiental, visível em episódios de destruição, como no Tarumã, e no abandono dos igarapés da capital, que, na visão dela, deveriam ser protagonistas no planejamento urbano.

Polos de educação ambiental nos bairros

A artista defende que a educação ambiental seja contínua, integrada ao currículo escolar e às ações de todas as áreas da administração pública. Entre as propostas, ela sugere a criação de polos de educação ambiental nos bairros, com atividades práticas como oficinas de reaproveitamento de materiais, compostagem, hortas comunitárias e orientação sobre separação de resíduos.

“Defendo que haja punição para quem joga lixo onde não deve, mas isso precisa vir acompanhado de orientação contínua, campanhas educativas e presença real nas comunidades. Uma ação fortalece a outra”, concluiu.

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