26.3 C
Manaus
07/03/2026

Acúmulo de lixo no Passeio do Mindu expõe pressão das chuvas sobre igarapés de Manaus

Últimas

Quem passa pelo Passeio do Mindu, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus, tem percebido o aumento do lixo acumulado no igarapé. O material, retido pelas ecobarreiras instaladas no local, evidencia a pressão que o período de chuvas exerce sobre a capacidade de contenção de resíduos na cidade.

Na noite desta terça-feira, 25/11, a artista visual e comunicóloga Michelle Marques de Moraes, que costuma praticar exercícios na área, registrou uma grande quantidade de garrafas PET, isopor, sacolas plásticas, madeira e outros materiais acumulados no curso d’água.

“Há muito tempo observo a realidade dos igarapés em Manaus e me entristece ver que, ano após ano, a situação piora. Sei que seria possível mudar esse cenário com boa vontade, compromisso e políticas públicas mais sérias”, afirmou.

As ecobarreiras instaladas nos igarapés de Manaus ajudam a reter resíduos e reduzir a poluição (Foto: Michelle Marques de Moraes)

Em suas redes sociais, Michelle costuma chamar atenção para questões ambientais e divulgar iniciativas que poderiam ser adotadas em Manaus para recuperar seus cursos d’água. Ela cita como referência o trabalho voluntário de Jó Farah, que atua pela preservação do Igarapé Água Branca.

“Só agora algumas organizações começaram a apoiá-lo, e isso só aconteceu pela persistência dele. Não deveria ser assim”, criticou.

A artista lembra que Manaus possui centenas de igarapés, muitos invisibilizados e outros transformados em esgoto a céu aberto, um cenário que ela considera devastador.

“A água é fundamental para a vida. Comparo nossos igarapés às veias do corpo: se estão obstruídas e contaminadas, o corpo adoece. Nesse caso, o corpo é a cidade”, explicou.

Michelle Marques defende que a educação ambiental seja política pública obrigatória – (Foto: Reprodução/ Arquivo/Pessoal)

Conscientização

Michelle também critica a facilidade com que empreendimentos imobiliários avançam sobre áreas verdes sem preservar nascentes e igarapés. Para ela, é necessário que a população reflita sobre seus próprios hábitos e adote práticas individuais, como separar resíduos e reduzir o consumo, alinhadas ao engajamento político.

Segundo Michelle, a falta de cobrança aos representantes contribui para o descaso ambiental, visível em episódios de destruição, como no Tarumã, e no abandono dos igarapés da capital, que, na visão dela, deveriam ser protagonistas no planejamento urbano.

Polos de educação ambiental nos bairros

A artista defende que a educação ambiental seja contínua, integrada ao currículo escolar e às ações de todas as áreas da administração pública. Entre as propostas, ela sugere a criação de polos de educação ambiental nos bairros, com atividades práticas como oficinas de reaproveitamento de materiais, compostagem, hortas comunitárias e orientação sobre separação de resíduos.

“Defendo que haja punição para quem joga lixo onde não deve, mas isso precisa vir acompanhado de orientação contínua, campanhas educativas e presença real nas comunidades. Uma ação fortalece a outra”, concluiu.

spot_imgspot_img
spot_img

Outras notícias

Conteúdo relacionado