O Brasil tem, enfim, sua primeira medalha olímpica de inverno. E ela veio em grande estilo. O responsável pelo feito histórico é Lucas Braathen, que conquistou o ouro no slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 e colocou o país definitivamente no mapa do esporte na neve.
Nascido em Oslo, na Noruega, em 19 de abril de 2000, Lucas Pinheiro Braathen carrega no sobrenome e na bandeira uma história que atravessa o Atlântico. Filho do norueguês Bjørn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro, natural do estado de São Paulo, ele cresceu dividido entre a capital norueguesa e temporadas de férias em cidades como São Paulo e Campinas, mantendo forte ligação com as raízes maternas.
Apaixonado por futebol na infância, Lucas é torcedor do São Paulo e fã declarado de Ronaldinho Gaúcho. Chegou a treinar em um clube quando criança, mas os invernos rigorosos da Noruega interrompiam constantemente as atividades. Foi nesse contexto que, por incentivo do pai, experimentou o esqui alpino aos nove anos. Descobriu ali o esporte que mudaria sua vida.
Embora tenha começado relativamente tarde para os padrões europeus, a evolução foi rápida. Pouco tempo depois, passou a integrar a equipe de desenvolvimento da Noruega, uma das maiores potências do esqui alpino. Especialista nas disciplinas técnicas slalom e slalom gigante, Braathen logo se destacou nas categorias de base.
Início da carreira

O primeiro grande impacto internacional veio na temporada 2018/2019, quando conquistou o título do slalom gigante na Copa Europeia entre os adultos e subiu ao pódio no Mundial Júnior, com prata no super-G e bronze no combinado. No mesmo período, estreou na Copa do Mundo.
Em outubro de 2020, com apenas 20 anos, venceu a etapa de abertura da temporada 2020/2021 em Sölden, na Áustria, garantindo seu primeiro pódio (já de ouro) na elite. Meses depois, sofreu uma grave lesão no ligamento do joelho, que o afastou das pistas por quase dez meses. O retorno, porém, foi ainda mais forte.
Na temporada 2022/2023, viveu o auge pela Noruega: foram sete pódios, incluindo três vitórias, seis delas no slalom. O desempenho lhe rendeu o Globo de Cristal da modalidade, consagrando-o campeão do slalom na Copa do Mundo de Esqui Alpino, o maior título de sua carreira até então.
Abrasileirou

Quando parecia pronto para dominar o circuito por anos, Lucas surpreendeu o mundo. Às vésperas da temporada 2023/2024, anunciou aposentadoria aos 23 anos, citando desavenças com a federação norueguesa. Passou uma temporada afastado das competições, alugou o apartamento na Noruega, descansou no Brasil, inclusive em Ilhabela, mas percebeu que ainda tinha muito a oferecer ao esporte.
O retorno veio em março de 2024, com uma mudança simbólica e histórica: Lucas decidiu competir pelo Brasil, país de sua mãe. Mais solto e identificado com a nova fase, voltou ao circuito na temporada 2024/2025 e rapidamente retomou o protagonismo. De lá para cá, acumulou dez pódios em etapas de Copa do Mundo defendendo a bandeira brasileira e chegou a Milano Cortina como vice-líder do ranking mundial.
A consagração definitiva aconteceu nas montanhas italianas. No slalom gigante, Braathen fez duas descidas consistentes e técnicas para garantir o ouro inédito ao Brasil.






